Coluna Almanaque: E VIVA A DEMAGOGIA...

Por Fábio Marques


Por Fábio Marques

Hoje em dia, quem acredita em partido político é só o presidente do partido e olhe lá. O fato é que, onde tudo se permite, logo começam a aparecer os urubus que vislumbram nesta permissão um atalho para reembolsos pessoais. E na política a coisa não poderia ser diferente. As pessoas que se envolvem neste aparato diabólico jamais serão capazes de enxergar na democracia um potencial humano e social. Entendem antes que ali está uma boa oportunidade de se tirar o necessário proveito da coisa.
E tem mais: os usos e costumes pouco a pouco vão sendo apagados da memória coletiva ao passo que os maus hábitos vão sendo apegados pela plebe ignara. Nos tempos antigos se fazia uma campanha para tal candidato pelo que ele tinha de ideal superior associado a ideologia ou programa do partido que ele tinha como modelo. Hoje, quem abraça a causa de um candidato, considera legítimo, quando não obrigatório, que ele ao vencer a eleição lhe premie com um cargo público, se possível do 1º escalão. Não estão nem aí para as propostas. Também não querem nem saber se vai haver ou não desenvolvimento ou qualquer outra forma de progresso que reduza os atuais índices de desemprego com novas fontes de trabalho. Só se interessam pela “boquinha”.
Hoje somos todos políticos. Do pior modo, obviamente. Acabou-se aquele tempo de ascensão social fácil por meios totalmente ilícitos como o tráfico de drogas, ou por demais penosos como a dedicação aos estudos. Em qualquer família de boa progênie, quando nasce um herdeiro, não o avistam mais como um futuro médico ou advogado. Projetam logo como um futuro senador ou alguma coisa do tipo. O melhor caminho hoje em dia é lançar absurdos para se introduzir na política. E parece que todo mundo está tomado por esta maligna doença. Agora somos todos vereadores em potencial. Todos prontos para dar o bote rumo à deputância (existe mesmo esse nome?).
Esculhambamos todas as possibilidades. Esgotamos qualquer reserva de decência em troca rápida por uma oferecida possibilidade de crescimento financeiro e social. Política é a boa nova para qualquer um. Nada impede que qualquer cidadão amanhã desperte com poderes legislativos. Basta que meia dúzia de paus-mandados simpatizem com suas idiotices.
Em suma, a política hoje nada mais é do que uma via de ascensão individual para a afluência material e o poder. A cada dia, multiplicam-se as pessoas que se tornam importantes de uma hora pra outra, assim, sem ter história nem biografia, sem ter passado nem futuro. Pobres de espírito, sempre ocupados com os pactos, conchavos e gambiarras do momento. Não lêem um livro, não se dedicam a conhecer bem assunto nenhum, não são solidários aos problemas do povo e não pretendem ser fiéis a ideário de estatuto político algum. Suas lealdades se encerram nos limites da cúpula de máfias a que estão ligados.
E quem não está de acordo com o esquema, está fora de moda e não serve para a práxis política vigente.
*O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Mamoré não tem responsabilidade legal pela "opinião", que é exclusiva do autor.


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