Nova Mamoré: dos seringais à lavoura mecanizada

Por Simon Oliveira dos Santos (*)

Igreja de Vila Murtinho, uma das melhores estações da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
 

Por Simon Oliveira dos Santos (*)

Quando os técnicos do INCRA desembarcaram nas proximidades da foz do Igarapé Ribeirão, no início da década de 1970, a região então pertencente ao município de Guajará-Mirim era um imenso e produtivo seringal cortado por dezenas de estradas de seringas, como se fosse uma grande teia de aranha que abarcava de Vila Murtinho se estendendo em direção ao hoje distrito de Palmeiras. 

Os técnicos com a árdua missão de instalar nesta área fronteiriça um Projeto Integrado de Colonização (PIC Sidney Girão), tendo como premissa, “ocupar” “os espaços Amazônicos, trouxeram em suas bagagens o protótipo (croqui), da cidade que seria construída na foz do Ribeirão. Toda uma infraestrutura urbana seria instalada naquela localidade, desde a construção de bairros, arruamentos, área de comércio, setor de hospital, escolas e até áreas de lazer seriam construídas para abrigas as centenas de famílias vindas de todas as regiões do Brasil e que dariam início a um novo núcleo urbano fora do eixo da BR-364 e distante quase trezentos quilômetros da capital do Estado, Porto Velho.

Se pode inferir que o insucesso da empreitada do INCRA na foz do Ribeirão, se deveu à falta de planejamento estratégico, pois a espinha dorsal do PIC Sidney Girão, a Linha D, fora construída distante vinte quilômetros do pretenso núcleo urbano, considerando-se também que nas proximidades da entrada da Linha D, já se formara um núcleo urbano, a “Vila”, que mais tarde se tornaria a sede do município de Nova Mamoré.

Com a instalação do PIC Sidney Girão,  dividido em centenas de lotes de cem hectares, em pouco anos, a área de seringal foi sendo substituída pelas pastagens e pela lavoura de subsistência, transformando a paisagem de “Mata Virgem”,  em áreas de campo aberto, onde centenas de famílias foram instaladas, dando início a um novo ciclo econômico na região.

Desde então, Nova Mamoré que tem a quarta maior área geográfica do Estado de Rondônia é um caso de sucesso, considerando-se que durante anos ficou isolada dos demais municípios localizados no eixo da BR-364, tendo como única ligação terrestre, a capital do Estado. Com a abertura da Estrada Parque em 2014, em decorrência da histórica cheia do Rio Madeira, Nova Mamoré galgou novos patamares graças a sua gente empreendedora e visionária que acredita nas potencialidades desta terra, “Berço do Madeira”. A Estrada Parque permitiu que o produtor rural que tinha como única alternativa escoar sua produção para o mercado consumidor em Porto Velho, agora dispõe de novas rotas de comércio com os demais municípios da BR-364, através do promissor distrito de Jacinópolis, permitindo que a economia do município se fortalece e se diversifique, como agora vemos, com a lavoura mecanizada em franca expansão.

Nova Mamoré que viveu o Ciclo da Borracha, do  Ouro e  da Madeira e tem na agropecuária o motor de sua   economia, se projeta agora e com sucesso em uma nova matriz econômica, a lavoura mecanizada, com excelentes expectativas de ser o novo celeiro do Estado no setor, considerando-se a abundância de terras férteis  e a proximidade com o porto graneleiro em Porto Velho.

O município que tem o privilégio de ostentar o título de ‘Berço do Madeira”, pois esse majestoso rio nasce em seu quintal, em Vila Murtinho, da junção dos rios Mamoré e o Beni, boliviano, se coloca nestes trinta e três anos de emancipação Político-Administrativa, mais uma vez como protagonista nesta área de fronteira com todos os seus percalços e distante dos centros das decisões políticas do Estado que sempre privilegiaram os municípios do eixo da BR-364.

Mesmo localizado nestas distantes paragens, Nova Mamoré a partir de Vila Murtinho e do pretenso núcleo urbano na foz do Ribeirão, desenhou e construiu sua própria história, com suor e sangue  dos pioneiros e desbravadores que com coragem abriram no punho e no machado um “varadouro”, de Vila Murtinho até às margens da BR-425, onde assentaram a pedra fundamental de uma “Vila”, que se transformaria em município que mira sempre o progresso de sua gente de berço e de coração.

(*) Simon Oliveira dos Santos, professor, membro da Academia Guajaramirense de Letras, autor do livro “Trem das Almas”.

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