Coluna Almanaque: DANOS E PREJUÍZOS

Por Fábio Marques


 Por Fábio Marques

Há mais de uma semana sem nenhum centavo no bolso, o poeta resolveu se recolher de vez ao recesso de sua cabana. Aqui e acolá ainda dava uma passada pelo Mercado, pela oficina do jornal e pelo boteco de sua frequência a fim de se inteirar das últimas. Quem tem dinheiro tem liberdade de movimentos. Como não tinha um tostão, achava melhor se isolar.
Mas nem em sua caverna conseguia encontrar sossego para efetuar elucubrações acerca das variantes da vida. Isto porque madame Duvalier resolvia aporrinhar: “Afinal quem você pensa que é? Você é muito metido e ridículo! Por quanto tempo você vai continuar com esta farsa, se fingindo de vítima? Por quanto tempo você vai continuar metendo o pau nas pessoas nos artigos? Estou cansada de passar vergonha por tua causa, cara!”.
Existem pessoas que jamais irão entender que quando um escritor insulta alguém, é como se tivesse pedindo socorro. Quando ele machuca alguém, o faz somente para chamar a atenção deste alguém sobre si mesmo.
Há quatrocentas cervejas atrás manteve o seguinte diálogo com uma senhora muito bem casada e muito mal comida: - Escuta, você fala mal do teu marido quando está aqui comigo nesta pocilga de motel, mas renunciar ao conforto que ele te dá para ficar comigo, você nunca vai querer, não é mesmo?
- E você é diferente? Vive de criticar esta gente que você chama de burguesa e ao mesmo tempo convive com ela. Por que insiste em ser o ridículo de todos?
-Acontece que minha vingança contra esta gente é exatamente estar ao lado deles, tomar a cerveja, comer os tira-gostos, ouvir suas idiotias e não pagar nada. Sinto-me como um Robin Hood fazendo justiça comigo mesmo. Por exemplo, o teu marido engana e rouba os fregueses na loja e eu acabo fazendo justiça lhe roubando. Roubo a mulher dele e dou para o pobre e lascado que sou eu.
No convívio de suas relações vez por outra era obrigado a escutar coisas do tipo: “Esses caras metidos a intelectual são uns bacanas. Reparem este filho-da-puta aqui. Enquanto todo mundo dá um duro danado, o bonitão só na boemia bebendo cerveja todos os dias”. Todas as vezes que isto ocorria ficava calado ou no máximo exibia um tímido sorriso. Pois sabia que mandá-los a puta que pariu lhe parecia pouco.
Ocorre que nesta vida é preciso ter os contatos certos, participar de alguma igreja, Rotary, Lions, Maçonaria, qualquer coisa. Além disso, é preciso saco para suportar a pequenez cultural de alguns insignes nas conversas reinantes. Cabeças pensantes nem pensar! Lógico que conhecia gente que fazia parte da logística destes aparelhos sociais que possuía cultura suficiente para deixar calada a ignorância ambiente. Isto caso a ignorância ambiente pudesse assumir além do próprio ambiente, a própria ignorância. Mas era ínfima minoria.
Ainda assim mantinha-se aberto ao diálogo com estes círculos de elite. Claro que agora, dado seu estado de precisão e penúria, que viessem na companhia de dinheiro, cheque ou vale-refeição.
*O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Mamoré não tem responsabilidade legal pela "opinião", que é exclusiva do autor.


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