Acusado de tentativa de homicídio em Guajará-Mirim é preso suspeito de estuprar e engravidar a enteada
Adolescente está gravida de três meses.
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| Prisão de suspeito ocorreu no início desta semana |
Após a prisão do homem, a delegada se disse chocada com a violência.
"Em 12 anos de profissão foi um dos crimes mais chocantes que investigo;
barbaridade e crueldade do infrator”, diz Solângela Guimarães.
O caso foi descoberto em setembro, após uma denúncia. A adolescente estuprada pelo padrasto está gravida de três meses.
A delegada titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Solângela Guimarães, explicou a mãe da vítima, de 35 anos, morava com o suspeito há quatro anos.
Em fevereiro de 2016, as filhas gêmeas dela, na época com 14 anos,
foram morar com a mãe e o padrasto na zona rural de Chupinguaia.
Antes disso, as adolescentes moravam com a avó, na região central do estado. A mãe das gêmeas não tem filhos com o suspeito.
“Os abusos começaram logo em seguida. Ele começou a abusar de uma das
adolescentes. O abuso consistia tanto no acariciamento como na conjunção
carnal e, até então, nem a mãe, nem a outra irmã tinham conhecimento”,
explica a titular da Deam.
Com o passar do tempo, o suspeito começou a praticar atos libidinosos com a outra adolescente.
Contudo, para fugir dos abusos do padrasto, ela foi morar com um homem
30 anos mais velho. Com isso, ficaram na casa, a outra adolescente que
já era vítima dos estupros, a mãe e o suspeito.
“Quando a adolescente [que ficou na casa] se negava a ter relação
sexual com ele, ele agredia a mãe da menina. Ele chegou a quebrar os
dentes da mãe dessa adolescente. Só que a mãe não sabia porque estava
apanhando, mas a adolescente sabia”, conta Solângela.
A delegada salienta que, muitas vezes, a adolescente se submetia a
todos os tipos de conjunção carnal, para que a mãe não apanhasse.
“As ameaças de morte continuavam com essa vítima que ficou na casa,
dizendo que iria matar ela, a irmã dela e a mãe. Ele agredia ela durante
o ato sexual. Ela tem fortes dores nas costas, pela forma brutal e
animalesca que ele pratica o ato”, comenta a delegada.
Segundo o relatado pelas vítimas, a mãe soube dos estupros
recentemente. Nessa ocasião, ela chegou em casa, acompanhada da filha
que não morava mais com ela, e flagrou o marido mantendo relações
sexuais com a adolescente.
“Ela entrou em estado de choque e foi tomar as dores da filha. Mas ele
usou uma garrucha, ameaçou e agrediu essa mãe; ameaçou a vítima e fez
com que a mãe e a irmã presenciassem ele concluir o ato sexual com a
vítima sob ameaça, de forma muito repugnante”, relata a delegada da
Deam.
Depois desse episódio, a mãe tentou fugir com a filha, mas como o local
é distante da cidade, o suspeito alcançou e as obrigou a retornar para o
sítio, ameaçando com a arma de fogo.
“Essa mãe vinha sofrendo tanta violência doméstica, tanto física como
psicológica, que ela passou a ter problemas de saúde sérios. O infrator
foi convencido a deixar a mulher fazer tratamento em outra cidade, e foi
assim que elas saíram das garras dele. As adolescentes narraram o caso
para um familiar, que procurou a delegacia”, diz.
Os exames e depoimentos foram encaminhados para a Deam de Vilhena, que representou pela prisão preventiva do padrasto.
O Poder Judiciário decretou e, na segunda-feira (2), com apoio da
Polícia Civil de Cerejeiras (RO) e Polícia Militar de Corumbiara (RO),
os investigadores da delegacia da mulher prenderam o homem e apreenderam
a arma de fogo.
Ele foi levado para Casa de Detenção de Vilhena, onde está à disposição
da Justiça. Ele pode responder pelos crimes de estupro, ameaça, lesão
corporal e posse de arma de fogo. O suspeito já tinha passagem por
tentativa de homicídio em Guajará-Mirim (RO).
As adolescentes estão sob cuidados de familiares. O caso continua em
investigação e o inquérito deve ser concluído na próxima semana.
“Em 12 anos de profissão como delegada, foi um dos crimes mais
chocantes que estou investigando; pela barbaridade, pela crueldade do
infrator; pela submissão que ele fez tanto as vítimas de violência
sexual, como a própria esposa sofrerem”, salienta.
A delegada enfatiza que vítimas, assim como testemunhas, podem fazer a
denúncia de forma anônima pelo número de telefone 180, que é o
disque-denúncia de violência contra a mulher.
“Tem que ser denunciado, pois a polícia só consegue agir quando ela
toma conhecimento. Se ninguém tivesse feito esta denúncia, essa mãe
teria voltado para as garras desse agressor. Essa vítima teria que ser
obrigada a manter conjunção carnal com ele. E quantos outros filhos ela
teria com esse infrator nessas condições? A denúncia é fundamental para
que esses infratores sejam presos”, enfatiza a delegada.
Fonte: G1
