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Coluna Almanaque – COMEÇAR DE NOVO

Por Fábio Marques

Confesso que invejo aqueles casais que colocam em suas páginas de novidades na Internet momentos felizes a dois ou em família que desejam partilhar com os colegas da rede digital. E me maravilho muito mais quando percebo que estes casais, apesar das farpas e arranhões, danos e prejuízos que deixaram feridas difíceis de cicatrizar, buscaram por seus próprios esforços uma solução lógica e racional para intrigas e mais intrigas que fizeram parte do enredo de suas vidas por vinte ou trinta anos.

Nos últimos tempos tenho notado que a inversão dos valores resultou no triunfo do vulgar e da sacanagem sobre a cultura e o amor de verdade. Fulanos e fulanas, sicranos e sicranas, doutores e doutoras, gente de todas as castas, em suas reuniões sociais, parecem que só se satisfazem quando o assunto é putaria pop. Os valores perdidos e intensos do ser humano ficaram para segundo plano.

Posso parecer um homem ignorante e obtuso, mas com um coração que se emociona a toa. Não vivo de glamour, fantasias e aparências. Vivo o meu cotidiano, a realidade, o mundo que tenho que encarar todos os dias. Não vivo de jantares e regabofes, não vivo de vaidades fúteis, não vivo de eventos com fachadas de religião que objetivam apenas dar um verniz legal para encobrir atos levianos e jamais deixarei de me dirigir por aquilo que penso em prejuízo daquilo que outros desejam raciocinar por mim. Embora com muitas minhocas na cabeça, sou um ser pensante com senso crítico e não um energúmeno ignóbil sem postura que renuncia ao direito de raciocinar com seu próprio cérebro.

Às vezes o que importa não são os fatos e sim a variação dos fatos. Hoje em dia existe um monte de gente querendo se meter nas coisas atinentes à minha relação familiar. São demônios e madames de Satanás que procuram a todo custo perpetrar um inferno astral em minha vida. Apesar da tragédia pessoal e da miséria humana em que me encontro, não desejo para estas pessoas o que elas desejam pra mim. Não. Nenhuma espécie de anátema ou maldição.

Apesar de minhas constantes altas e baixas humorais que nos últimos tempos acabou por mergulhar num caos temporal regado à lágrimas e melodramas, tenho ternura pela minha ex-esposa e amo nossos dois filhos gerados pelo nosso antigo amor. No momento estou tentando reorganizar a vida, levantar a poeira e ir seguindo adiante. O negócio é ir tentando acertar a relação mesmo que desgastes e prejuízos ocorram. O amor não é feito somente de trepadas e orgasmos. O amor é feito de um conjunto de coisas como a ajuda mútua, a amizade, a cooperação e a participação nos bons e maus momentos do cotidiano familiar.

Quanto àqueles que se meteram no “metié” das coisas que não lhes condiziam, que não procurem prejulgar as pessoas com a bússola antenada apenas na moldagem de seus caracteres. Já dizia um dito muito popular: “O sapato que cabe numa pessoa acaba deixando com calos a outra”. Portanto não existe uma maneira universal de viver que esteja de acordo com aquilo que a gente deseja se ancorar como método de vida, princípios e valores. Palavras, palavras…

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